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segunda-feira, dezembro 31, 2007

Resolução de ano novo: aposentadoria, por invalidez, aos falsos e despersonalizados.

O tempo urge. Não me ocuparei mais com gente escorradia e sem opinião.
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PS. em 2008, também vou querer saber os nomes das namoradas do Reynaldo Gianecchine e do Bruno de Luca.

sexta-feira, dezembro 21, 2007

Amigo Oculto, atualizado

Claudia Dialho tirou Patrícia Brandão, que tirou Lelé Guimarães, que tirou Carol Sem Paio, que tirou Betty Pinto(sa) Guimarães, que tirou Leda pagode na Lage, que tirou Leda Lúcia Galdeano (e sua camélia com tímpanos), que tirou Ariadne Coelho, que tirou Arlindo Galdeano, que tirou Caco Gerdau, que tirou Narcisa Tamborindeguy, que tirou Bruno Astuto, que tirou Hildegard Angel, que tirou Nina Chavs, que tirou Lily Marinho, que tirou Helô Guinle, que tirou Maria Helena Guinle, que tirou Georgiana Guinle, que tirou a Ana Sillos, que não tirou ninguém, porque não anda podendo comprar presentes.

Bruna Pagodiño tirou Gilberto Chateaubriand, que tirou todos os condôminos do Diários Associados, que tiraram o Julio Lopes (depois daquele grampo telefônico), que tirou o Marcio Fortes, que tirou o Éder Meneghine, que tirou a Glorinha Severiano Ribeiro (ela aproveitou e rezou o terço, pois tem medo de veados), que tirou o Jair de Ogum, que tirou o bispo Macedo, que tirou o Mohammed Ali Kamel.

Vera Loyola tirou a Maninha Barbosa, que tirou a Jamila Barroso, que tirou o Stênio Garcia (ele aproveitou e pôs mais Corega), que tirou o Hugo Carvana, que tirou o Barretão (o da vida real), que tirou o Nelson Mandela, que tirou o George WC Bush, que tirou o Seu Osama, que tirou a Liége Monteiro - varetando-a em direção ao Vaticano, pensando tratar-se de um coquetel molotov. Minha santa Benazir!

Helena Gondin tirou o doleiro Piano (seu antigo anunciante), que tirou o Edemar Cid Ferreira, que tirou o João Dória, que tirou o Amaury (ele aproveitou e pôs mais botox), que tirou o dono da Editora Símbolo, que tirou o Roberto Civita, que tirou o Nelson Tanure, que tirou o Carlos Alberto Serpa, que tirou o Gilles de Lascar, e a biba regurgitou até os bofes.

Fernando Collor tirou a Rosane Collor, que tirou a Tereza Collor, que tirou o Alexandre Acioly, que tirou o Daniel Sabá, que tirou a Bianca Teixeira, que tirou a Keka Gama Lobo, que tirou Beth Garcia, que tirou o Sombra, que tirou o RPM, que tirou a Fernandinha Babosa, que tirou a Patrícia Alencar, nora do governador Marcelo Alencar, que tirou o MC Ferrou, ou será o MC Deu Mal?

Guilherme Guimarães tirou a empolada Julinha Aquino Rego, que tirou a Pirilena Lacerda, que tirou a Lu Lacerda, que tirou a Joyce Pascowitch, que tirou o Otávio Frias Filho, que tirou o Júlio Mesquita Neto, que tirou o Domingos Alzugaray, que tirou o Mino Carta, que tirou o Diogo Mainardi, que tirou o Gore Vidal, que não tirou ninguém porque a biba está enorme de gorda e cansou a beleza.

Alda Soares tirou a Ísis Penido, que tirou o Dom Eugênio Salles, que tirou o Clodovil, que tirou o Ronaldo Ésper, que tirou a Adriane Galisteu, que tirou a Viviane Senna, que tirou a Marcela Prado, que tirou a Xuxa, que tirou a cantora Simone, que tirou a Fernanda Colagrossi, que soltou os cachorros na Lilibeth com seu Negão.

Artur Xexéo tirou a Maria Cristina Nascimento Brito, que tirou a Iesa Rodrigues, que tirou a Regina Guerreiro, que tirou a Patrícia Carta, que tirou a Érika Palomino, que tirou a Siri do BBB (porque são parecidíssimas), que tirou o Diego Alemão, que tirou o Gianecchini, que tirou o Fernando Torquatro, que tirou o Sérgio Mattos, que tirou o Rômulo Arantes Neto, que tirou a traveca da Prado Júnior, que deve ter tirado alguém, depois de botar um pouquinho, é claro.

Sérgio Cabral tirou Antony Garotinho, que tirou o presidente Lula, que tirou o Fernando Henrique Cardoso, que tirou a Heloisa Helena, que tirou a dona Mariza Letícia, que tirou a dona Ruth (depois de pôr mais botox nos lábios), que tirou a Miriam Dutra, que tirou a Mônica Veloso, que tirou a Verônica Calheiros, que tirou a barriga da miséria alagoana. Madame Calheiros, e seus roliços tornozelos, tirou a Glória Maria, que tirou a Renata Ceribelli e quase teve um qüiproqüó, porque as duas já se engalfinharam na redação do "Fantástico" - precisou o Geneton chegar para apartar.

Wolf Maia tirou a Isabeli Fontana, que tirou o Henry Castelli, que tirou o Carmo Dalla Vechia, que tirou o Leonardo Brício, que tirou o Leonardo Vieira, que tirou a Lola Batalhão, que não tirou ninguém, pois está ocupada querendo de volta a boca que emprestou para a Isis Monteverde.

Rogério Zylbersztajn tirou Napoleão Fonyat (houve puxão de cabelos, porque ambos queriam tirar o André Rezende - mas que cabelos?), que tirou o Luiz de Freitas, que tirou a Jane Rosé Klarnet, que tirou a Globeleza, porque ambas são muito parecidas fisicamente, até no cabelo canecalon.

Cidinha Campos tirou o Eduardo Cunha, que tirou todos os funcionários de Furnas, que querem tirar o Luiz Paulo Conde, mas ele não larga o osso.

Miriam Leitão tirou os donos do Porcão, que tiraram o secretário da Receita Federal, que tirou a Eliana Tranchesi, que tirou a Regina Lundgreen, que tirou o Ênio Carlos Bittencourt, presidente da Saara, a quem vai processar por concorrência desleal.

Carolina Dieckman tirou Sabrina Sato, que tirou a Glorinha Paranaguá(ssu), que tirou a Mulher-Samambaia, que tirou a Andréa Castiñera, que tirou a dona da Termas 117, que tirou o Dom Euzébio, que tirou a Neyde Aparecida, a das Perucas Lady.

Ana Bentes tirou o Jaquito Kappeler, que tirou todos os ex-funcionários da Bloch, aos quais mandou entregar um ovo injetado com formol, presente do Boninho, que tirou o Roberto Talma, que tirou o Daniel Filho, que tirou o Mario Gomes, que não deseja tirar desde os anos 80, mas não consegue - acostumou.

Suzana Vieira tirou a Rudy, que tirou o Jean Yves, que acha que tirou a Chanel, mas ele não é Yves Saint Laurent (acorda, biba), que tirou a Betty Faria, que deve mudar de cirurgião plástico, que tirou a Glória Menezes, que tirou o entregador de pizza que há anos inferniza a vida de Tarcísio Meira, que tirou o Dado Dolabela, que se tirar pra fora, no Coqueirão, até o vendedor de biscoitos Globo cai de boca.

Lise Grendene tirou a Rebeca Gusmão, que tirou a Ana Paula Arósio, que tirou a Ana Beatriz Nogueira, que tirou a Patrícia Pillar, que tirou a Ana Carolina, que saiu cantando “É isso aí”.
Maria Bethânia tirou a Vanja Leonel, que tirou a Margareth Menezes, que tirou a Ivete Sangalo e chamou a Daniela Mercury para o pau, e esta foi correndo, contrariando todas as expectativas.

O lutador de sumô Patrícia Hargreaves tirou a deputada Magesi, que tirou o Marcelo Borges, que quis tirar a Rainha Elizabeth, porque agora ele é condessa sereníssima.

Beth Serpa tirou a Milu Camarão, que tirou a Ângela Alhante e foi almoçar, porque Camarão ao Alhante lembra muito o Antiquarius. Regina Rique tirou a filha Luciana (elas se amam), que tirou o Jesus Sangalo, que tirou a Lícia Fábio, que mandou fazer um despacho para descompensar aqueles não sei quantos quilos de ebó.

segunda-feira, dezembro 17, 2007

Momento relax



O bom ator Alexandre Slaviero, que adora pescar, em recente viagem ao Pantanal.

Esse Caco Johannpeter é um homem corajoso, mesmo

Li que ele está "apaixonado" pela Naomi.

Para quem não está ligando o nome à pessoa, trata-se do ex-marido da Narcisa Tamborindeguy.

Não diga nada, por favor. Só admire

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. clique na foto, faça um pôster e pendure na sala de TV

Há momentos em que nenhuma palavra precisa ser dita

Fixação que a nossa press tem por doidos-varridos gringos - não bastam os nossos

Acabei de ler em um site por aí:

"Fotógrafa brasileira é agredida ao tentar clicar Naomi Campbell em São Paulo".


E tenho uma sugestão de mote para a torcida do Flamengo, a mais elegante do Rio:

Aha, uhu, ô Naomi eu vou comer seu bolo!

sábado, dezembro 15, 2007

Niemeyer diz que leitura é fundamental

Em livro, mestre anuncia a criação da Escola de Arquitetura e Humanidades para abrir horizontes às novas gerações
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Uma vez, em seu escritório com vista para o mar, na Avenida Atlântica, Niemeyer observou, "espantado", o diálogo entre duas estudantes. A primeira dizia estar lendo "um livro de Eça de Queiroz", no que a outra rebateu com a seguinte pérola-indagação: "Esse Eça é filho da Raquel de Queiroz"? O gênio da arquitetura lembra a cena em seu mais recente livro, "O ser e a vida", lançamento da editora Revan, cujo objetivo, diz o autor, é contar como a leitura "foi importante" em sua vida, dando "um sentido mais amplo, mais modesto, diante deste universo que nos encanta e humilha".
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O diálogo entre as mocinhas foi por demais impactante, que Niemeyer considerou a urgência de "intervir no processo de formação da juventude" brasileira, para dar a alunos de cursos superiores "uma visão mais ampla e abrangente dos problemas que iriam encontrar pela frente, palestras paralelas, cursos de extensão, algo que lhes revelasse a realidade perversa que os espera". Ponto de partida da Escola Oscar Niemeyer de Arquitetura e Humanidades.
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Aberto com carta assinada por Fidel Castro, datada de outubro deste ano, "ano 49 da Revolução", acentua, o livro tem a marca do doutor Oscar: todo em branco-e-preto, com capa dura e poucas páginas (perto de 50), além de alguns dos seus desenhos. "Ler é uma couraça contra todo tipo de manipulação", testifica o presidente de Cuba.
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Niemeyer conta, "comovido", que um dia, ainda jovem, o amigo Rodrigo Mello Franco de Andrade lhe disse: "O importante é ler, informar-se, sobretudo do que ocorre a nossa volta, conhecer a língua, os escritores mais fundamentais". Ele seguiu o conselho. "Com entusiasmo", passou a se dedicar a todo tipo de leitura, e não apenas a textos sobre arquitetura. Foi além: quis saber como os escritores eram "na realidade".
Ficou encantado quando soube, por exemplo, que o "modesto" Machado de Assis descia todo dia no bondinho do Cosme Velho para a Academia. E a lista de exemplos de encantamento do mestre é longa.
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Ele cita Graciliano Ramos, "meu companheiro na célula do PCB", Jorge Amado, "velho e querido camarada, alegre e desinibido como as personagens de seus romances", Carlos Drummond de Andrade, Vinicius de Moraes e Chico Buarque, "que representam o que há de melhor na poesia brasileira".
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O economista Carlos Lessa, que também apresenta a edição, vizinho de página de Fidel, diz que acha "nuclear" a meta de Niemeyer, de possibilitar ao estudante a navegação sobre as contingências "e exercer sua liberdade em prol do processo civilizatório. A Escola Oscar Niemeyer de Arquitetura e Humanidades será o ponto de partida de uma nova curva biográfica para seus estudantes", filosofa.
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A vontade de conhecer os escritores que o seduziam levou Niemeyer a querer deles também o teor da correspondência. No livro ele lembra das cartas de Mário de Andrade para Lima Barreto, "como gostei", das missivas de Flaubert, Eça de Queiroz e James Joyce. "E, mais longe, das de Voltaire", acentua. O mestre das curvas concretas enfatiza que a leitura foi muito importante em sua vida.
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Mesmo as histórias policiais não ficam de fora. "Acho que li todos de Simenon", recorda. "Os amigos se espantavam, argumentando que neles nada havia de conteúdo importante. Lembro-me da ocasião em que os fulminei, dizendo que em suas `Cartas ao Castor' Sartre confessava que em um dia havia lido três romances de Simenon", se diverte.
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"Sem a leitura o jovem sai dos cursos superiores desprovido do conhecimento da vida, deste mundo difícil que vai encontrar pela frente", atesta Niemeyer. Para ele a idéia de fazer brotar o hábito da leitura na garotada não deve se limitar aos que chegaram à universidade, mas precisa ser prática entre todos, começando na escola primária.
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Seu Oscar lembra o amigo Darcy Ribeiro e sua proposta do Ciep, a escola que "deu ao problema do ensino uma solução mais humana, mas que, infelizmente, foi interrompida por motivações políticas". Claro que o comunista dispara sua munição contra o capitalismo. Em seu entendimento, o desinteresse, por parte dos jovens, pelos problemas graves da humanidade, como pobreza e violência, é reflexo do regime que prega o poderio do dinheiro. Os jovens de hoje só têm como objetivo de vida "competição, poder e riqueza".
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Um dia, um companheiro de trabalho, rapaz "modesto", manifestou o desejo de estudar arquiteura. Niemeyer fez uma contraproposta: pagava o curso para o colega, desde que ele se comprometesse a ler dois livros por mês. "Hoje, já às vésperas de se graduar", conta o mestre, "recordo como esse fato comprova a importância que dou a toda iniciativa para estimular nos jovens esse hábito indispensável", prega, definitivo.
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O SER E A VIDA - Livro de Oscar Niemeyer com 48 páginas. R$ 38. Pode ser encontrado em todas as livrarias do Brasil

Marco da arquitetura mundial

Palácio Gustavo Capanema foi projetado a muitas mãos de grandes artistas, como Niemeyer, Lucio Costa e Le Corbusier

O Palácio Gustavo Capanema fica onde o vento faz a curva. Literalmente. Os 16 andares (27.536 metros quadrados) projetados a muitas mãos (entre elas, as de Oscar Niemeyer e Lúcio Costa) estão equilibrados sobre um paliteiro de concreto de 10 metros de altura, pilotis bem arrumados que fazem proliferar uma brisa suave. Pode estar o calor infernal do Rio 40 graus, mas, por ali, no final da Av. Graça Aranha, no Centro, confluência com a Rua Santa Luzia, a carícia do vento é um convite ao piquenique na hora do almoço-executivo.

A sede do Ministério da Cultura no Rio é um chamado ícone da arquitetura moderna mundial. Foi construída no Estado Novo (1937/1945) e tombada pelo Iphan em 1948. Na equipe de projetistas, além dos geniais já citados, outros jovens recém-formados como Jorge Machado Moreira, Affonso Eduardo Reidy, Carlos Leão e Ernani Vasconcelos. A inspiração veio da Europa, do arquiteto Le Corbusier. Mais que inspiração: o francês pôs a mão na massa.

Trata-se de um cartão-postal importante. Não é todo prédio que pode sair por aí se gabando de que em seu pátio principal há um painel de azulejos desenhado (com peixes e estrelas-do-mar) por Portinari, de ter, em seus corredores, pinturas de Alberto Guignard e Pancetti e, nos jardins (de Burle Marx!), esculturas de Bruno Giorgi e de Jacqques Lipchltz. Papa fina.

O "prédio do MEC", como é conhecido popularmente, pois sediou o Ministério de Educação e Cultura antes que a capital se mudasse para Brasília, é batizado com o nome do ministro da Educação getulista, que lutou pela construção. Gustavo Capanema foi quem contratou Lucio Costa e, a pedido deste, mandou que um zeppelim trouxesse ao Brasil o francês Le Corbusier, que corria o mundo à epoca fazendo palestras, para dar opiniões sobre o projeto.

O mestre ficou no Rio durante três semanas, mudou quase que por completo a concepção dos brazucas, e outras duas boas idéias para a obra. Antes do prédio carioca, nem Nova York contava com monumentos enormes de concreto e vidro - um "estilo europeu" de arquitetura, "não americano", como bem lembrou Lucio Costa em certa ocasião - o que os livros guardam.

Em "As curvas do tempo", Niemeyer escreveu sobre o prédio e a vinda do colega francês. "Para mim, o primeiro estudo de Corbusier era muito melhor. E, quando vi os desenhos do segundo projeto sendo concluídos, tentei, angustiado, uma idéia diferente, tendo como base seu primeiro projeto. Carlos Leão gostou dos croquis que eu desenhei, falou com Lúcio, eu os joguei pela janela - nunca me ocorreu vê-los aproveitados - Lúcio mandou buscá-los e foram aproveitados".

Tudo meio que começou assim: em 1935, Gustavo Capanema mandou publicar edital para escolha de um projeto arquitetônico para a sede do Ministério da Educação e Cultura. O vencedor foi Archimedes Memória, resultado que não agradou ao ministro.

Capanema pagou o prêmio a Memória, mas contratou outra idéia, agora de Lucio Costa. As leis urbanas limitavam qualquer construção naquela área a sete andares. Fala-se que o concurso inaugurou uma cizânia entre Memória e Costa.

Lugares matemáticos
O projeto da turma de Lucio Costa pregava a instalação de venezianas de vidro de um lado da fachada - o que aconteceu - acessórios que muitos entendidos chamam de "brise-soleil". Olha aí a história de o vento fazer a curva. Talvez tenha vindo de Niemeyer a inspiração para um pátio com enorme espelho d'água.
Mas o consultor Corbusier logo vislumbrou que o terreno escolhido para fincar o prédio seria engolido por outras construções e sugeriu a transferência da obra para uma outra área, no trecho já aterrado da Avenida Beira Mar, onde hoje está o Museu de Arte Moderna. Fez muitas interferências no projeto original e mudou tudo - fazendo surgir os pilotis e o auditório.

"Em torno do edifício, dentro do edifício, há lugares precisos - lugares matemáticos que integram o conjunto e que constituem tribunas onde a voz de um discurso encontrará seu eco em derredor. Tais são os lugares da estatuária", escreveu Corbusier em 1936.

O prédio foi erguido, inaugurado, tombado, esquecido, lembrado, restaurado, e aqui está ele, outra vez merecidamente citado como gancho do centenário de nascimento de um dos projetistas. Nesse tempo mais recente, houve um presidente da Funarte, Celso Frateschi, que anunciou a realização de uma série de "eventos culturais" no prédio.

"Haverá espaço para todas as artes. Vamos entregar o Palácio Capanema para a população, transferindo as atividades administrativas para outro endereço" declarou, à moda fi-lo porque qui-lo, com a aquiescência caymmiana do ministro-cantor.

Tudo não passou de conversa para boi-da-cara-preta dormir, e o local prossegue na base dos trancos e barrancos, só ganhando maquiagem, vez ou outra, quando recebe visitas de autoridades, como aconteceu recentemente com a vinda do presidente Lula. Até a grama foi aparada - fato de um ineditismo impressionante.

É fato que o "Palácio da Cultura" tem passado por um longo período de revitalização orquestrada pelo Iphan (o escritório regional do instituto tem sede no local), mas como os passos de tartaruga das ações públicas são marca do Brasil, "quando um azulejo chega a ser reconfigurado, é o piso que precisa ser revisto, um elevador que pára, e aí nada se conclui", conta um restaurador, exercendo seu ofício no sobe-e-desce daquelas escadas sinuosas.

O projeto de restauração atual é extensivo a todo o importante acervo de obras de arte e mobiliário. Tendo começado a trabalhar nos anos 80, uma turma que labutou pela recuperação do PGC fez um inventário dos objetos e documentos, cadastrando tudo nas chamadas fichas técnicas.

Em 1983, um convênio com a Fundação Getúlio Vargas permitiu uma elogiada pesquisa documental que gerou o livro "Colunas da educação", lançado em 1996, com os principais documentos da época da construção. Um exemplar pode ser comprado na feirinha da Praça XV por R$ 20.

Não chega a ser num piquenique daqueles preconizados no primeiro parágrafo, mas o bancário Josué Marques, 35 anos, que trabalha nas adjacências do "Palácio da Cultura", como ele chama o prédio, volta e meia arranja um jeito de esticar o almoço e o lanche embaixo daqueles frescos pilotis. Só se recente não haver bancos no local. "Sempre que estou aqui, me imagino fora do Rio de Janeiro. Essa calmaria não condiz com o Centro da cidade. Dá vontade de ficar aqui para sempre", testemunha, encantado com o painel de azulejos de Portinari.

sexta-feira, dezembro 14, 2007

É dura a vida de "celebridade" no Brasil. Além de ter de se render ao charme avassalador de uma festa de máscaras de Uánessa Camargo...

...li que uma turma foi a uma festa de um picolé, é isso mesmo, e teve de posar para fotografias chupando o próprio, é, sapecando um boquete no anfitrião.

PS. E quero saber quem é que vai vestido de Carlota Joaquina no réveillon dos Pagodiño, no Chopin, e quem vai levar coxas de peru assado dentro do paletó. Aposto em alguns nomes, se der na telha, publico outro dia.

quarta-feira, dezembro 12, 2007

segunda-feira, dezembro 10, 2007

quarta-feira, dezembro 05, 2007

Caio Junqueira

No blog do Ancelmo Góis, vejo o vídeo do ator Caio Junqueira quase socando um camelô que vende CDs pirateados. É flagrante o molho de ficção na cena, está claro que tudo foi ensaiado.
Quero ver o Caio Junqueira encarar os parrudos vendedores de CDs piratas que fazem ponto ao redor do Edifício Avenida Central, no Centro da cidade.
Vai levar uma surra daquelas.
Quero ver o Caio Junqueira encarar o Zulu (alusão ao modelo, um pouco parecido), um armário de olhos azuis que às vezes me fornece os filmes dos quais preciso.
Ou você acha que, como o Caio Junqueira, não compro discos piratas?

terça-feira, dezembro 04, 2007

Madame K. que é tantas e apenas uma

Marilia Kranz pára o Rio, hoje, com a exposição que marca os 40 anos de sua bela carreira

Alguém já escreveu por aí que "Marilia Kranz são muitas". Pode ser que seja mais do que isso, porque a fundadora do Partido Verde, pintora, desenhista, gravadora e escultora não pára de se reinventar. E lá se vão 40 anos de carreira - trajetória que será marcada especialmente hoje, no Museu de Arte Moderna, com abertura de exposição e lançamento de livro bilíngüe editado pelo estúdio Andrea Jakobsson com patrocínio da Petrobras.

Mas deixa eu me situar e situar você com as seguintes aspas: "Marilia Kranz são duas. Mas cada uma delas, muitas. E sendo tantas e apenas uma, em tudo o que faz, como cidadã e artista plástica, revela-se solidamente coerente", escreveu o crítico de arte Frederico Morais na edição que marca as quatro décadas de trabalho da amiga.

Carioca da gema de Ipanema, Marilia estudou na Belas Artes sem chegar ao diploma - largou a escola no meio do caminho, encheu o saco. Mas isso não a impediu de fazer novos cursos, freqüentar os mais renomados ateliês e ser reconhecida internacionalmente. Já expôs nas grandes metrópoles brasileiras e também nos Estados Unidos, Japão, Chile, México, Suécia, e mais, e mais. Isso, sem contar as casas dos amigos colecionadores - literalmente, todo o elenco do primeiro time do Rio. É dificil adentrar um apartamento colunável na Rui Barbosa, por exemplo, sem dar de cara com um quadro assinado pela pintora. Carmen tem. Lucianita adorava o seu.

O começo de carreira foi interessante. Houve até uma passagem por Londres, onde estudou "educação através da arte" com Tom Hudson, no Cardiff College of Art. Aprendeu de tudo. Inclusive desenho a carvão - rabiscos que, até hoje, transportam os kbytes de seu HD cinzento para o abstrato da tela ou do papel, em seu quarto-ateliê. Claro: antes, tudo é marcado nas páginas de seus já famosos - entre amigos - cadernos. Parêntesis: (o dia em que Marilia resolver expor tais preciosidades, haverá um terremoto; Todo mundo vai querer comprar, mas o Gilberto Chateaubriand levará todos, por certo).

Arco-íris
Dos ocres e marrons e acanhados tons do começo de carreira, Marilia evoluiu para o arco-íris atual. Um arco-íris pastel, diga-se, mas que faz muito bem aos olhos. Iluminada, a alma da artista tem muito mais de amarelos do que de cinzas e de cafés-com-leite. Felizarda por ter nascido em uma cidade que traduz para cartões-postais até seus hidrantes quase-todos-enguiçados, a artista sabe como poucas transpor a paisagem carioca para os traços de sua geometria cheia de poesia - o que na ebulitiva cabeça de Flávio de Aquino mereceu a definição de "geometria metafísica" - ele sabe o que diz.

Refletindo os contornos do Rio, encontros de curvas divinas e retas pagãs, a obra mariliana, às vezes, lembra o casamento, visto de longe, do "gigante adormecido" com o deboche arquitetônico de vidro e concreto que guarda o Edifício Cândido Mendes, Centro da cidade, trambolho que remonta o Rio a Tóquio. "Marilia Kranz é paisagem urbana", também já ouvi dizerem por aí.

Urbana e contemporânea. E alquimista. Muito antes de Paulo Coelho e seus dez mil anos atrás, ela já se aventurava até por poluídos poliuretanos rígidos, veja você, dando vida à "arte impessoal" à qual se referiu, politizada, em um manifesto propagado nos anos 60, defendendo autonomia e desvinculação de símbolos e referências. Seus altos relevos - e aqui cabem também os intelectuais - a encaminharam para a escultura, universo por onde trafega muito menos do que deveria.

Livro
"Marilia Kranz" (R$ 90) contém 204 páginas que traçam a vida e a arte da Marilia Kranz artista, ativista política, socialite e musa de todos os seus amigos. Com mais de 100 ilustrações, traz histórias sobre um Rio que não existe mais. A exposição conta com trabalhos datados de 1968, quando tudo começou, até 1974, quando os alto relevos, as esculturas e os materiais até então inusitados, como resinas industriais, epoxy, fibras de vidro, e mais, e mais, começavam a falar mais alto.

Do cenário natural do Rio, aliás, Marilia não consegue fugir, quando, com seus fecundos cadernos (aqueles valiosos da preliminar), começa a traçar novas fases. Foi assim, agora, enquanto preparava a mostra de hoje em seu apartamento: "Vasculhei as minhas gavetas e baús para conseguir produzir o livro. E foi emocionante reviver tantas fases da minha trajetória como artista e como mulher - diz a emocionada Madame K, antológica partícipe das orgias gastronômicas do saudodo mestre Apicius.

Ficamos combinados: todo mundo no MAM, hoje.


MARILIA KRANZ 1968 - 1974 RELEVOS E ESCULTURAS. Museu de Arte Moderna (Av. Infante Dom Henrique, 85 - Parque do Flamengo. Tel.: 2240-4944). Ter. a sex., das 12h às 18h; sáb., dom. e feriados, 12h às 19h. R$ 5 e R$ 2. Até 2/3