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quarta-feira, novembro 26, 2014

Empresa de Alexandre Accioly, cabo eleitoral do Aécio Neves, acusada em "rombo milionário no Sesc"

A notícia saiu na coluna "Justiça e Cidadania" do jornal "O Dia", AQUI.
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O Ministério Público Federal (MPF) entrou com ação na 21ª Vara Federal pedindo que a Justiça determine a devolução de R$ 34,2 milhões aos cofres públicos. No bololô dos réus não tem raia miúda. Além do ex-presidente Orlando Diniz e nomes do segundo escalão do Sesc, figura a empresa do milionário carioca Alexandre Accioly, a Accioly Empreendimentos e Entretenimento Ltda. Accioly ficou conhecido no Rio por ter vendido por milhões, dizem, uma empresa de call center para a Editora Abril, se eu não me engano. Mais recentemente, foi visto em vídeo na internet dando voz de prisão a uma senhora negra que supostamente distribuía, na Zona Sul, um jornal falando mal do Aécio Neves, então candidato à presidência da República. AQUI.
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Só do Accioly os promotores querem a devolução de 14,1 milhões usados no evento Noites Cariocas.
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Relatório do Tribunal de Contas da União, de 2010/11, diz que "não houve licitação", nem "tomada de preços", e fala em "fraude em quatro notas fiscais".
O MPF pede ainda à Justiça o bloqueio de bens da empresa Accioly e da Moeller e Botelho Produções Artísticas Ltda, da L21 Participações Ltda, da Metro Quadrado Monstagens e Promoções Ltda e da Tryx Evento Ltda.
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Se condenadas, as empresas podem ficar proibidas de fazer negócios com o poder público durante 5 anos.
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E assim caminha a humanidade.

terça-feira, novembro 25, 2014

Reação do Bruno Astuto quando Nizan e Donata anunciaram mais um jabá para ele na casa amarela...

video

quarta-feira, novembro 19, 2014

Limongi, o setentão número 1 de Brasília


O jornalista Vicente Limongi Netto completa 70 anos de idade. Coerente, sincero, leal e contundente, não se cala diante de injustiças, nem tolera "sandices de asnos, fantasiados de paladinos de barro", como ele mesmo diz. Amigo antigo, das boas quebradas das represas da noite, também comemora, feliz da vida, 43 anos de casamento com a charmosíssima Wrilene. Na foto, o aniversariante com as lindas filhas, Carla e Joana.

terça-feira, novembro 18, 2014

Depois de aportar na de São Paulo, agora a decadência chegou de vez na Parada Gay do Rio.

Aliás, as cenas deprimentes já haviam tomado de assalto o evento, muito antes dos ladrões e trombadinhas.
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Só louco consegue enxergar "vocação turística" em um furdunço com sexo explícito e consumo de drogas pesadas a céu aberto.

quinta-feira, novembro 13, 2014

General Eletric lança "Postais do futuro"

A multinacional GE está inaugurando um novo Centro de Pesquisas no Brasil. Tudo conectado aos outros endereços similares da indústria situados no resto do mundo. Objetivo é criar novas tecnologias, seja buscando-as "a mais de 10 mil metros de altura ou a 3 mil metros de profundidade", diz a empresa no site que lançou para apresentar a novidade. AQUI.
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O mote  da campanha de lançamento é "Como você imagina o futuro"? Com a hashtag "Postais do Futuro", a turma da GE chama os brasileiros a criar novos cartões postais com toques alhures, ou seja, como seria um Pão de Açúcar, por exemplo, daqui a mil anos?
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Muito bacana. Vale ir ao site e viajar. Veja abaixo o Elevador Lacerda, de Salvador, daqui a alguns milênios...
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"Uma didática da invenção", de Manoel de Barros

I
Para apalpar as intimidades do mundo é preciso saber:
a) Que o esplendor da manhã não se abre com faca
b) O modo como as violetas preparam o dia para morrer
c) Por que é que as borboletas de tarjas vermelhas têm devoção por túmulos
d) Se o homem que toca de tarde sua existência num fagote, tem salvação
e) Que um rio que flui entre 2 jacintos carrega mais ternura que um rio que flui entre 2 lagartos
f) Como pegar na voz de um peixe
g) Qual o lado da noite que umedece primeiro.
etc.
etc.
etc.
Desaprender 8 horas por dia ensina os princípios.

II
Desinventar objetos. O pente, por exemplo.
Dar ao pente funções de não pentear. Até que
ele fique à disposição de ser uma begônia. Ou
uma gravanha.
Usar algumas palavras que ainda não tenham
idioma.

III
Repetir repetir — até ficar diferente.
Repetir é um dom do estilo.

IV
No Tratado das Grandezas do Ínfimo estava
escrito:
Poesia é quando a tarde está competente para dálias.
É quando
Ao lado de um pardal o dia dorme antes.
Quando o homem faz sua primeira lagartixa.
É quando um trevo assume a noite
E um sapo engole as auroras.

V
Formigas carregadeiras entram em casa de bunda.

VI
As coisas que não têm nome são mais pronunciadas
por crianças.

VII
No descomeço era o verbo.
Só depois é que veio o delírio do verbo.
O delírio do verbo estava no começo, lá
onde a criança diz: Eu escuto a cor dos
passarinhos.
A criança não sabe que o verbo escutar não
funciona para cor, mas para som.
Então se a criança muda a função de um
verbo, ele delira.
E pois.
Em poesia que é voz de poeta, que é a voz
de fazer nascimentos —
O verbo tem que pegar delírio.

VIII
Um girassol se apropriou de Deus: foi em
Van Gogh.

IX
Para entrar em estado de árvore é preciso
partir de um torpor animal de lagarto às
3 horas da tarde, no mês de agosto.
Em 2 anos a inércia e o mato vão crescer
em nossa boca.
Sofreremos alguma decomposição lírica até
o mato sair na voz .
Hoje eu desenho o cheiro das árvores.

X

Não tem altura o silêncio das pedras.

"O menino que carregava água na peneira", de Manoel de Barros

Tenho um livro sobre águas e meninos.
Gostei mais de um menino
que carregava água na peneira.

A mãe disse que carregar água na peneira
era o mesmo que roubar um vento e
sair correndo com ele para mostrar aos irmãos.

A mãe disse que era o mesmo
que catar espinhos na água.
O mesmo que criar peixes no bolso.

O menino era ligado em despropósitos.
Quis montar os alicerces
de uma casa sobre orvalhos.

A mãe reparou que o menino
gostava mais do vazio, do que do cheio.
Falava que vazios são maiores e até infinitos.

Com o tempo aquele menino
que era cismado e esquisito,
porque gostava de carregar água na peneira.

Com o tempo descobriu que
escrever seria o mesmo
que carregar água na peneira.

No escrever o menino viu
que era capaz de ser noviça,
monge ou mendigo ao mesmo tempo.

O menino aprendeu a usar as palavras.
Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.
E começou a fazer peraltagens.

Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.
O menino fazia prodígios.
Até fez uma pedra dar flor.

A mãe reparava o menino com ternura.
A mãe falou: Meu filho você vai ser poeta!
Você vai carregar água na peneira a vida toda.

Você vai encher os vazios
com as suas peraltagens,
e algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos!

"O livro sobre nada", de Manoel de Barros

É mais fácil fazer da tolice um regalo do que da sensatez.
Tudo que não invento é falso.
Há muitas maneiras sérias de não dizer nada, mas só a poesia é verdadeira.
Tem mais presença em mim o que me falta.
Melhor jeito que achei pra me conhecer foi fazendo o contrário.
Sou muito preparado de conflitos.
Não pode haver ausência de boca nas palavras: nenhuma fique desamparada do ser que a revelou.
O meu amanhecer vai ser de noite.
Melhor que nomear é aludir. Verso não precisa dar noção.
O que sustenta a encantação de um verso (além do ritmo) é o ilogismo.
Meu avesso é mais visível do que um poste.
Sábio é o que adivinha.
Para ter mais certezas tenho que me saber de imperfeições.
A inércia é meu ato principal.
Não saio de dentro de mim nem pra pescar.
Sabedoria pode ser que seja estar uma árvore.
Estilo é um modelo anormal de expressão: é estigma.
Peixe não tem honras nem horizontes.
Sempre que desejo contar alguma coisa, não faço nada; mas quando não desejo contar nada, faço poesia.
Eu queria ser lido pelas pedras.
As palavras me escondem sem cuidado.
Aonde eu não estou as palavras me acham.
Há histórias tão verdadeiras que às vezes parece que são inventadas.
Uma palavra abriu o roupão pra mim. Ela deseja que eu a seja.
A terapia literária consiste em desarrumar a linguagem a ponto que ela expresse nossos mais fundos desejos.
Quero a palavra que sirva na boca dos passarinhos.
Esta tarefa de cessar é que puxa minhas frases para antes de mim.
Ateu é uma pessoa capaz de provar cientificamente que não é nada. Só se compara aos santos. Os santos querem ser os vermes de Deus.
Melhor para chegar a nada é descobrir a verdade.
O artista é erro da natureza. Beethoven foi um erro perfeito.
Por pudor sou impuro.
O branco me corrompe.
Não gosto de palavra acostumada.
A minha diferença é sempre menos.
Palavra poética tem que chegar ao grau de brinquedo para ser séria.
Não preciso do fim para chegar.
Do lugar onde estou já fui embora.

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