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sexta-feira, novembro 11, 2005

Xales aquecem na noite dos Safra

















Fazia frio. Muito frio. Mas a São Paulo social das grandes fortunas, há muito, estava aquecida para a “maior festa dos últimos tempos”. E o clima levou as mulheres mais elegantes da cidade a tirar dos armários seus xales e écharpes. Quase todas levavam esses providenciais aquecedores ambulantes surgidos na moda na Europa do século XVIII (leia mais sobre o assunto no pé da página). Algumas carregavam seus xales nos ombros, outras, junto das bolsas. Havia outras carregadas por eles. As bolsas, por sua vez, para ocasião festiva, estão cada vez menores, cabendo na palma da mão. O casamento, dia 1º de Novembro, da linda Alessandra Deweik com o herdeiro Azuri Safra, filho do arquimilionário Moise Safra, da família do bancão homônimo, foi um espetáculo! Um detalhe saltou aos olhos de quem compareceu: não se sabe se havia mais seguranças ou convidados. Viver assim, rodeado de homens-armários, deve ser muito chato - se não se é gay.

O vestido da noiva tinha a grife de Demi Queiroz. Alessandra usava uma discreta tiara de diamantes segurando o véu longo e generoso. A festa aconteceu na exclusiva Hípica de Santo Amaro, onde o colunista César Giobbi dá muita pinta a bordo de seu anel de ouro no dedo mindinho - pavor, pavor. Os Safra construíram um prédio de mais de sete mil metros quadrados especialmente para a ocasião, tudo decorado pelo Felipe Crescenti, que sabe tudo de cenografia. Esperados 800 convidados, com os guarda-costas coxudos no contexto o contigente quase dobrou. Os detalhes eram tantos, que até a pista de dança mudava de cor: foi feita de fibra ótica.

Milionários dos quatro cantos do mundo. Lily Safra, a loura poderosa, não apareceu. Há um tempo, comenta-se, as relações dela com a família de seu falecido marido (morto naquele incêndio malcontado em Mônaco) andam estremecidas. O buffet França, preferido da alta burguesia paulista, esmerou nos detalhes e sabores “kosher”. Isabella Suplicy fez os doces e bolos. Chella Safra, mãe do noivo, é uma anfitriã exigente e fez questão de provar todos os pratos e doces quando da organização da recepção. Exigente e incansável: outro dia mesmo, vestida por Valentino-cabelo-de-graúna, ex-Sra. Cacá de Souza, casou seu filho Edmond (com Marielle Nahmad) em uma festança em Cannes, no Palm Beach La Croisette, rebu para mil pessoas, tapete vermelho na porta, feito a noite do Oscar sem o vestido-cisne daquela rapariga, como é mesmo o nome dela? Esqueci.

No casamento de anteontem, a famosa dona Fifi, conhecida doceira dos libaneses e judeus da paulicéia, também deixou sua contribuição ao assinar algumas delícias. Quer dizer: dona Fifi fez o povo emitir fiufius com aqueles doces de nozes de se lamber beiços e babar gravatas. Lulu Santos, sem Scarlett (Lulu sem Scarlett é muito chato) arrematou a ocasião com um show descontraído - os noivos subiram ao palco e saracotearam com ele, inclusive. Azuri é um dos mais animados da noite paulista - invariavelmente dança muito, está sempre sorrindo. Na noite de seu casamento não poderia ser diferente: parecia feliz, a bordo de uma graúda cartola.

A cerimônia foi na sinagoga paulista, apenas na presença dos mais íntimos (o casamento civil aconteceu no domingo anterior, seguido de almoço que durou dia inteiro, no restaurante La Luna). O teto do prédio construído na Hípica, Felipe Crescenti mandou pintar todo de azul-marinho. Havia cristais colados e, à primeira vista, com o reflexo da luz, o povo pensava tratar-se de um céu estrelado. Flores brancas por toda a parte, e fica difícil nominá-las (eram tantas e tão diferentes). Mesas redondas de 10 lugares. Havia rosas, gérberas, chuva-de-prata e mais, e mais. O florisca Carlos, famoso das altas paulistas, ar-ra-sou! No mesmo páreo que ele, só o Antônio Neves da Rocha e o João Vicente Correa. (sai pra lá, Ricardo Stambowsky!)

Descontração total. Todo mundo dançou a valer. Hebe Camargo, que não é Roberto Carlos e por isso foi de marrom (bata de cetim bordada, estilo meio indiano), estava animadíssima, com um xale da mesma cor, só que mais escuro, e graúdos diamantes caindo em chuveiro sobre o colo – um colar valioso. Hebe também não é Angélica, e por isso não foi de táxi, como faz a maioria dos paulistas endinheirados com medo de sequestro, mas de carro blindado, com seguranças e motorista.

No capítulo colar, aliás, foi difícil escolher o mais bonito. O da Chella Safra, se vendido, daria para pagar as despesas da festa e já garantir as outras, até as bodas de prata do filho. O traje pedido foi o black-tie, mas alguns homens (poucos) não seguiram a pretensão dos donos da festa. Entre os convidados, até o Faustão, veja você o poder da televisão. Luciano Huck e a mulher, ex-Anjéca, também disseram sim, mas o Huck é bem-nascido, justifica-se. Estava lá o poderoso Lázaro Brandão, presidente do Conselho de Administração do Bradesco, cabelos cor de algodão - claro que não deve ser por preocupação financeira. Dos Setúbal do Itaú, só vi o Roberto com seu bigodão. Indigesto bigodão. Milu Vilela, maior acionista do banco com as irmãs Camargo (da Camargo Corrêa), anda sumida.

Tufi Duek, dono da Forum, um homem da moda, foi de smoking mas aboliu a gravata-borboleta. Preferiu uma comum. Todos os Ermírio de Moraes também disseram sim (n’outro dia mesmo, no sábado anterior ao casamento, a mesma turma de endinheirados reuniu-se para o casório de Lianinha, linda, linda, sobrinha de Antônio Ermírio, filha de José Ermírio de Moraes Neto, com Guilherme de Almeida Prado).

Chella Safra estava de Lacroix salmão-rosa-champanhe e xale de tule de seda na mesma cor. Cecília e Abram Szajman. Ela abusou das transparências. Otavio e Tânia Piva de Albuquerque. Ele talvez o maior importador de vinhos do País. Ela de vestido preto justo de alcinhas, rendado e forrado na cor da pele, com xale preto sobre o ombro, sem colar, enormes brincos de diamantes. Daniela Sarahyba, deslumbrante, de azul-turquesa, com xale marrom na mão, acompanhava o namorado Wolf Klabin.

Rosinha Goldfarb, das melhores amigas da Hebe (daquele time de mulheres que dividem com a loura do SBT a mesma suíte do Ritz e saem às ruas ensandecidas às compras em Paris), de azul-carbono cheio de transparências. Esther Safra Szajman, de vestido dourado-cor-de-mel, com micro bolerinho transparente sobre o ombro, cabelos presos em coque alto, era das mais bonitas. Walter Feldman não respeitou o black-tie e pôs terno cinza claro com gravata de gerente de banco estatal - ou de neys suassunas, como queira.

André Szajman era o mais bonito da noite. Um pão. Graziella Matarazzo, com a categoria impressa no nome, deslumbrantemente chique, de preto, pouca maquiagem, pescoço longitudinal feito o de Maria Eudóxia Duvivier (quanta saudade), xale plissado aquecendo o colo. O vestido mais improvável, e por isso mesmo lindíssimo, era o de Marcia Grostein. Parecia um Lino Villaventura, e eu acabei não perguntando que griffe que é.

O XALE - Como peça da moda, foi instituído na Europa pelos soldados britânicos e franceses que chegavam das guerras na Índia. Corria o século XVIII. Na segunda metade do século XIX, o xale era parte integrante do vestuário elegante. Em 1810 eram curtos, 20 anos depois, mais longos, agora já feitos de seda. Com o passar do tempo, foi atingindo maior comprimento, aderiu ao algodão, à lã, à caxemira, ganhando texturas, bordados e franjas. Os registros da moda garantem que Arthur Liberty, fundador da Liberty de Londres, iniciou sua carreira fazendo xales, no século XIX.
Na foto, Chella e Moise Safra, o casal sensação.

4 comentários:

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